Tem um termo que virou popular pra descrever um fenômeno que a maioria de nós já sentiu na pele: enshittification, cunhado pelo ativista de tecnologia Cory Doctorow. Ele descreve um ciclo de vida quase previsível de plataformas digitais — e explica exatamente por que grupo de Facebook, feed de Instagram e tantos outros espaços online pioraram com o tempo, mesmo com investimento crescente da empresa por trás deles.
O ciclo em três fases
Na primeira fase, a plataforma é boa pro usuário: poucos anúncios, recursos gratuitos generosos, experiência pensada pra atrair e reter gente. É a fase de crescimento, quando a base de usuários ainda é o ativo mais importante a proteger.
Na segunda fase, com a base consolidada, o foco muda pra monetização. Anúncio aumenta, dados viram produto comercial, e o algoritmo passa a ser ajustado pra maximizar tempo de tela — não necessariamente qualidade de experiência. Na terceira fase, a plataforma extrai valor tanto do usuário quanto de quem paga anúncio, sacrificando a experiência de ambos em nome de margem.
Como isso apareceu especificamente nos grupos
Grupo de Facebook começou como espaço de conversa entre pessoas com interesse comum. Com o tempo, o design evoluiu pra maximizar permanência dentro da plataforma, não necessariamente pra satisfazer as preferências de quem participava. O resultado prático que qualquer administrador de grupo reconhece: post de venda disfarçado, spam recorrente, moderação manual esgotante porque a ferramenta de moderação nunca acompanhou o crescimento do problema.
O motivo é estrutural: um algoritmo que degrada a qualidade do que promove está, na prática, abusando da confiança de quem usa e da posição de dominância que o efeito de rede garante — porque migrar todo mundo pra outro lugar ao mesmo tempo é quase impossível. A plataforma sabe disso, e o incentivo de curto prazo aponta sempre pra priorizar engajamento sensacionalista, que gera mais clique, em vez de qualidade, que gera mais confiança de longo prazo.
"O problema nunca foi o Facebook ser ruim de propósito. O problema é que o modelo de negócio dele recompensa piorar a experiência, uma vez que a base de usuários já está presa."
Por que isso não é destino, é escolha de modelo de negócio
O ciclo de enshittification não é uma lei física inevitável — é o resultado direto de um modelo de negócio específico: crescer com capital de risco, depender de publicidade pra monetizar, e responder a acionista que exige crescimento trimestral constante. Uma plataforma financiada de outro jeito, com outro tipo de incentivo de receita, não é obrigada a seguir o mesmo ciclo.
Como o Pybly tenta escapar disso
A monetização do Pybly não depende de leilão de atenção nem de venda de dado de comportamento pra anunciante. Vem de assinatura Plus, de gestão de comunidade e do programa Closer — modelos onde o incentivo é manter quem já está satisfeito, não extrair mais atenção de quem já não tem escolha de sair. Não é garantia absoluta de nada no futuro, mas é uma escolha estrutural desde o início, não uma correção de rota depois que o problema já apareceu.